No dia 2 de setembro, as 09:30hs (horário de Londres) largamos oficialmente para a primeira corrida, um "sprint" até de cerca de 2 dias até Brest - França.
Uma regata altamente tática com várias marcas de percurso e de restrição, como as TSL, lugar exclusivo de para grandes navios, vários pontos perigosos de pouca profundidade, correntes de maré de mais de 3 nós virando a cada 6 ou 7 horas, e previsão de vento franco, com possibilidade de termos que descer âncora para evitar andar para trás. Tudo isso tinha que ser colocado numa equação para tentar achar o melhor percurso.

Largamos mal. Bem mal. Em último, na verdade.... com uns 5 minutos de atraso. Deve ter ficado feio na filmagem... No momento de subir a vela mestra, quanto ela estava quase no topo, o nó da driça soltou e a vela veio toda abaixo. Não estava na hora, mas parece que foi o Patrick (skipper) quem fez o nó. Tivemos que usar o cabo que segura a retranca como driça improvisada e subir a vela novamente. Resultado, largamos atrasado.
Tudo acertado, colocamos o nosso segundo maior balão, a code 2, pois o vento com 18 nós, estava mais forte que o previsto, seguindo rumo a primeira marca de percurso. E pouco a pouco fomos percebendo as qualidades do barco e do skipper. Com 1 hora de corrida, já tinhamos ultrapassado 3 barcos. 2 deles estavam brigando como se estivessem em regata de monotipo a 100 metros da linha de chegada. Orçaram demais perdendo o melhor trajeto até a marca de percurso.
Com o passar do tempo formos percebendo as diferentes estratégias dos skipper. E quando a oportunidade apareceu a flotilha se dispersou perdendo contato visual com a maioria dos barcos. Mesmo assim, em várias oportunidades as nossas trajetórias se cruzavam com os barcos passando a poucos metros um do outro. Na noite do primeiro dia a previsão de ventos fracos se confirmou e a partir daí cada barco teve que dar o seu máximo na escolha das velas e sua trimagem, e contar com um pouco de sorte também. 
No nosso barco ainda temos muito o que aprender sobre trimagem com o spinnaker. Em várias oportunidades pude ver e ajudar a mudar a velocidade do barco de 2 nós para 7 nós. Apenas ajustando as velas. E muitos ainda acham que o vento aumentou possibilitando melhor velocidade. E nestes casos sempre digo, não é o vento, somos nós. Em um dos turnos com vento fraco até recebi elogios do skipper quando, enquanto timoneava em conjunto o meu trimmer preferido, Sascha, conseguimos aumentar a velocidade do barco de 2 para 6 nós. Em suas palavras,"seja lá o que você esteja fazendo, continue fazendo, e mostre aos outro como fazer". Ainda temos muito para melhorar, mas este é objetivo, melhoria contínua.
Na noite seguinte foi pior, pois além de do vento fraco, tivemos neblina pesada, com menos de 30 metros de visibilidade, dificultando muito o trabalho no leme pois não há referência como estrelas para navegar e a atenção tem que ser triplicada na navegação com uma pessoa 100% do tempo de olho no AIS e no radar.
Como a previsão de ventos não de melhorar, o comitê de regata decidiu encurtar a corrida em mais de 80 milhas, calculando a distância até uma marca em um horário determinado. Cada barco deveria tirar uma foto da tela do GPS na exata hora de chegada e envia-la ao comitê organizador. O aviso ocorreu com menos de 3 horas para final, e nesse período todos os barcos deram o máximo de sua concentração na regulagem das velas, já que boa parte da flotilha estava embolada e a diferença entre o segundo e o sexto colocado era de poucas milhas.
Demos o máximo nestes últimas horas, e como o momento era de total concentração, todos tiveram que ficar no deck. Era o meu turno e eu estava no leme quando recebemos a notícia. Então toda a pressão caiu nos meus ombros para manter o barco no curso e com velocidade, enquanto o skipper ficava responsável por monitorar, na sala de navegação, o rumo e o que os outros barcos faziam. Era possível ver no rosto das pessoas a aprovação e confiança em me deixarem no leme naquele momento importante. Somente na última meia hora o skipper tomou o leme quando nós e mais três barcos disputavam o segundo lugar com menos de 100 metros de distância entre cada barco em uma neblina pesada ouvindo sinais sonoros de neblina por todos os lados. Realmente um final de regata inesquecível. 
Mas o suspense do resultado demoraria mais algumas horas, até que o recebêssemos o resultado final do "photo finish", no entando sabíamos que estávamos no podium. Nada mal pra quem largou em último e atrasado. 
Infelizmente, quando a notícia veio foi a pior possível. Estávamos em penúltimo!
Segundo a comissão de regata, havíamos infringido um das regras de percurso de não entrar nas áreas exclusivas para navegação de grandes navios, nos custando mais de 7 horas no tempo como penalização. Questionamos a penalização, pois a linha que cruzamos era uma linha de referência para percurso, e não a própria área de TSS. Sem resultado..... O choque no nosso moral foi terrível. Estávamos inconsoláveis. Eu estava na sala de navegação quando o skipper recebeu a notícia final e que o nosso argumento não havia sido aceito. 
No outro dia, quando chegamos a marina, após 14 horas andando no motor, percebemos que outros barcos também não concordavam com a decisão, e a prova disso foi quanto o team Garmim passou por nós e num ato inesperado, nos aplaudiu, reconhecendo a capacidade de nosso time. Emocionante....
Na vida a bordo, por enquanto tudo bem, sem muitos atritos. Apenas o dessalinizador que ainda não funciona, o gosto da água dos tanques ainda é insuportável, o fogão que insiste em desligar sozinho como nos barcos antigos, a driça da vela mestra que ainda não conseguimos arrumar, os calços de madeira entre o mastro e o deck que quebraram, causando vazamento de água de chuva para dentro do barco e rachaduras no deck, e outros pequenos probleminhas. Nada que atrapalhe a convivência. De qualquer maneira, acertos precisam ser feitos, pois só passamos 3 dias em regata, e já temos sinais de que a qualidade da convivência pode deteriorar muito na próxima etapa com mais de 3 semanas sem ver terra.

Release oficial do resultado da regata 1:
https://www.clipperroundtheworld.com/newsitem/invest-africa-wins-race-1-from-england-to-france
Silvia Togneri
6/9/2013 08:01:45 am

Acompanhamos a velocidade dos barcos e quando estavam embolados. Parabéns pela experiência que tiveram. O importante é que vocês conseguiram se superar em condições desfavoráveis.
estamos torcendo por vocês. Gostaria de ir a Brest, mas não vai dar. Bons ventos e excelentes decisões.

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Silvia Togneri
8/9/2013 06:04:29 am

OLA DESEJAMOS UMA BOA LARGADA E EXCELENTES VENTOS; TAMBEM OTIMAS DECISOES NOS MOMENTOS MAIS DIFICEIS; DEUS OS ABENCOE; FAMILIA TOGNERI EM PARIS TORCENDO PELO OLD PUTTNEY

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