Dia 8

16/9/2013

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Lat: 30o 30,900- Norte
Long: 019o 04.100 – Oeste

Cerca de 110 nm a noroeste das Ilhas Canarias.

Após o episódio dos moitões das escotas dos spinnakers, passamos a noite só com a vela mestra e a Yankee 2 em asa de pombo.

Veio a manhã, tripulação e skipper mais descansados, decidimos voar o segundo maior spinnaker com um moitão somente, o que significava   que não poderíamos fazer jaibe, ou seja, voar a vela somente em um dos lados do barco. Havendo a necessidade de jaibe, teríamos que descer a vela, dobrá-la e guardá-la, alterar o moitão recuperado para o outro lado do barco e subir a vela novamente. Deu tudo certo. Subimos o spinnaker, barco andando mais, moitão sobrevivendo. Aproveitei então para tentar recuperar o outro moitão completamente torto. Carcaça e roldana completamente torcidas e amassadas. Depois de alguma martelada, alavancas e 1,5 hora depois, conseguimos deixar o moitão livre para girar, mas com um dos lados da carcaça ainda muito torto pois temos o receio de quebrá-lo.

O vento aumentou para mais de 20 nós e a cada balançada da vela, no momento que ela enchia novamente, a escota chicoteava sobre o moitão, fazendo-o bater no deck do barco com uma força assustadora. Agora sabemos por que os moitões não resistiram.

A decisão obvia era de descer a vela e voltar a para a Yankee 2 em asa de pombo, que estava guardada e ainda tínhamos a Yankee 1 no meio do caminho. Trabalho para mais de 2 horas envolvendo quase toda a tripulação. Passamos a tarde nesta configuração e quanto o vento diminuiu e mudou no inicio da noite voltamos para a Yankee 1.

Durante a madrugada, quando acordava para o meu turno das 3hs às 7hs, ouvi que estavam colocando spinnaker 2 para cima. Não durou mais de 30 segundos no ar. A parte da frente (tack) soltou e a vela ficou voando, arrastada feito uma grande bandeira. Descer a vela, dobrá-la e prepará-la para subir novamente. Mais de uma hora depois estávamos prontos para subi-la novamente. E novamente o tack soltou! Inacreditável. E dessa vez fui eu quem conectou e revisou esta parte da vela. Alguma coisa estava fazendo com que ela soltasse. Não podíamos esperar o dia clarear, estávamos perdendo mais terreno em relação aos outros barcos e precisávamos de mais velocidade no barco. O vento havia reduzido para uns 15 nós e agora podíamos subir a code 1, o nosso maior spinnaker. Já eram mais de 5hs da madrugada. Com um pouco de receio e a confiança abalada preparamos tudo novamente para subir, agora com mais cuidado com cabos que poderiam estar fazendo com que o tack se soltasse sozinho. Tudo certo. A nossa vela da sorte voltou para o ar, mas era possível perceber que estávamos abalados com os episódios dos últimos dias e desta noite. Qualquer balançada da vela era motivo de medo dela enrolar em um dos stais do mastro, ou o moitão quebrar de vez, ou o tack line soltar novamente. E por ser um dos timoneiros mais experientes, tive que aguentar mais uma hora e meia no leme, jogando com o vento que insistia em mudar de direção toda hora durante o fim da última madrugada.

Voltamos a batalha e a perseguir o resto da flotilha. Ainda tem muito chão pela frente e muita coisa pode acontecer. Outros barcos também já tiveram problemas similares com o mesmo moitão e outros diversos danos nas velas, alguns bem grandes. Pelo menos ainda tivemos nenhum nas nossas.

Precisamos pelo menos diminuir um pouco a distância para os outros barcos, que já é de mais de 200 milhas em relação o primeiro, para manter o moral em alta. É evidente o cansaço geral da tripulação especialmente com os diversos episódios relacionados aos spinnakers que fazem com que os horários dos turnos não sejam respeitados devido à quantidade de trabalho.

Mas o pior é perceber algumas pessoas trabalhando enquanto outras só assistem ou param para almoçar no meio do trabalho.

Temos pelo menos mais de 2 semanas pela frente e o desgaste na convivência começa aparecer.

27/4/2017 01:05:09 pm

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