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Foto: Brian Carlin
Lat: 00o 00’- EQUADOR!
Long: 030o 37’ – Oeste

Cruzando o equador

Domingo, 29 de setembro de 13.

Num bom domingo, acordaria mais tarde, e se tivesse sol, provavelmente sairia para uns 50 km de bicicleta e talvez almoçar num lugar legal. Já é um bom programa. Mas neste domingo fiz algo diferente, bem diferente. CRUZEI O EQUADOR VELEJANDO!!

Não acordei tarde, porque era a minha de vez de pegar o turno da manhã, das 07hs às 13hs. Dia ensolarado, temperatura ao redor dos trinta graus, brisa fresca, barco trimado, pouca onda, velejando em orça apertada (o mais próximo que podemos fazer em relação ao vento) rumando direto para Fernando de Noronha. Logo cedo ouvimos o convite do skipper a Netuno para vir a bordo para pedirmos boa passagem por seus domínios e para julgar os não iniciados nesta tradicional travessia. Netuno respondeu, como esperado, e nos prometeu uma passagem segura desde que oferecêssemos algo de muita preciosidade para nós e os novatos sejam iniciados sem piedade. A cerimônia então foi marcada para logo depois do almoço....

Exatamente às 08:29hs, horário de Brasília, saímos do hemisfério norte e demos mais um passo para perto de casa, agora com o GPS mostrando latitudes crescentes do lado sul. Vibrei bastante. Uma pequena comemoração aconteceu entre os sortudos acordados e no deck. Sascha teve a honra de conduzir o barco por este tradicional marco. Não tinha muita expectativa por este momento antes de iniciar a competição, afinal apenas uma linha, uma marcação geográfica. A água não muda de cor, o céu também não e a brisa também é a mesma. Mas agora, depois 21 dias seguidos no mar e 45 longe de casa, passando por diversas provações, como calor, enjôo, privação de sono, sede, saudade, esgotamento físico, um pouco de medo, e principalmente pelos impiedosos Doldrums, esta passagem toma uma valor mais que especial e certamente inesquecível. A água não mudou de cor ou de temperatura, mas a sensação de conquista sim. Agora sim, me sinto honrado e digno de ser julgado por Netuno.

Às 13 horas teve início a cerimônia com a chegada de Netuno que sentou bem à popa do barco, para julgar e receber tributo dos novatos. Cada um de nós pagou com um banho de suas águas sagradas, incluindo aí o nosso skipper, o Patrick e o nosso câmera man, o Brian, dois velejadores muito experientes que dedicaram toda a sua vida ao mar, mas que até então não haviam cruzado esta mítica linha. Isto tornou a comemoração mais especial. Ainda como tributo, oferecemos uma generosa quantidade de nosso mais precioso néctar, um Old Pulteney envelhecido 12 anos. Com o restante, brindamos à conquista. Certos agora que ainda melhores ventos virão!

30/9/2013 08:33:53 pm

Emocionante...

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