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Foto: Brian
Lat: 09o 35’- Norte
Long: 027o 17’ – Oeste

Certamente no meio do nada e dos Doldrums...

Em primeiro lugar agradeço todas as mensagens de suporte. Mesmo uma simples frase ajuda a superar o calor infernal dia e noite e dá mais energia para seguir com o trabalho no deck. Obrigado a todos.

A nossa estratégia de cruzar o Doldrums está dando certo. Deixamos o dia 13 em último lugar para o “stealth mode” em último e voltamos 24h depois em nono. E na manhã seguinte em oitavo. Tivemos boa sorte nos dois primeiros dias nesta região única e imprevisível. Velejamos a maior parte do tempo com o nosso maior spinnaker e a noite, quando as nuvens começam a baixar, por segurança usamos a Yankee 1. Somente por algumas poucas horas não tivemos vento durante o dia, mas nestas poucas horas foi o suficiente para entender o que é os Doldrums. Mal sabia o que ia acontecer no dia 15... Quando o vento apareceu, conseguimos fazer bons 10 nós por mais de 6 horas com a nossa code 1 em orça folgada e no rumo certo.

Durante a noite tive mais uma mostra da fama e poder desta região. No nosso turno das 23hs as 03hs (é sempre quando as piores coisas acontecem), começamos monitorar os squalls pelo radar e também pelo horizonte já que tínhamos lua cheia.

Conseguimos desviar de nuvens muito, muito, feias. Parecia que o céu estava com raiva e despejava toda a sua ira em forma de chuva e vento. Até que chegou a minha vez de ir para o leme perto das 02hs da madrugada. Já tínhamos passado por uma nuvem de chuva, mas que só ajudou a nos impulsionar no rumo certo com ventos de até 18 nós e 12 nós de velocidade. De repente, surge no radar um monstro amarelo que quase preenchia a metade a bombordo (esquerda) da tela do radar. Não tinha como escapar. Todo mundo preparado para rizar a mestra. Começamos a entrar na tempestade e o vento subiu de 5 para 18 nós em coisa de 2 minutos. E veio a chuva, torrencial. Quase não dava pra enxergar. E doía na pele. Coisa de 5 minutos, mas o suficiente pra criar uma lâmina de água no convés. E como começou parou. De repente. Só que desta vez o vento foi à zero. Era possível ver e ouvir a chuva atrás de nós a cerca de 50 metros, e nós agora ali, parados. Mais alguns minutos e o vento reapareceu, só que vindo do lado aposto, do lado onde as nuvens mais assustadoras estavam. Já era quase 03hs da madrugada e hora de troca de turno, quando o vento simplesmente pulou de 10 para 22 nós. Sem aviso, sem nuvem no radar, e em menos de um minuto. O pessoal que estava subindo no deck, ainda meio sonolentos, tomou um susto e tiveram que se segurar para não cair pra fora do barco. Inclinamos mais de 40 graus, e rumávamos leste ao invés de sul. Não deu tempo de fazer nada, só de aliviar um pouco a pressão na vela mestra. Foi um grande susto. Uma das únicas vezes que tive medo aqui. Certamente se houvesse uma pessoa menos experiente no leme, estaríamos em sérios apuros. Mais uma dos Doldrums....

O dia amanheceu com temperatura mais amena, mas sem vento. Nenhum vento mesmo. Cerca de 8 horas praticamente parados. E o sol nos cozinhando vivos no deck. Dentro do barco a situação não era melhor. Cada um desce do deck e senta para descansar parece que correu uma maratona, mesmo dando apenas alguns poucos passos. Completamente desidratados e exaustos.

Era possível ver ao longe em todas as direções nuvens e vento. Menos ali, onde estávamos. Mar parado que parecia vidro. Desesperador e realmente irritante! O trabalho constante em tentar fazer as velas encherem nos rendeu algumas milha nestas horas, no entanto não há prognóstico de tempos melhores.

O único fato que alterou a monotonia da manhã foram dois barulhos. Bang, bang (nunca é um bom sinal). E nossa vela mestra despenca sobre as nossas cabeças mais uma vez. Desta vez alguma coisa dentro do mastro literalmente comeu a driça (cabo) que segura à vela. Para alívio do Stuart, que já pensava que outro de seus “splices” (olhal costurado na ponta do cabo) tinha arrebentado novamente. Haverá um processo investigativo mais tarde para descobrir o que está roendo nossos cabos dentro do mastro.

 Agora é esperar que a face noturna e raivosa dos Doldrums, cheia de tempestades isoladas, nos empurre pra fora daqui de uma vez.

Virginia
23/9/2013 07:59:41 am

Desejo bons ventos, de forma a te trazer de volta mais rápido. Bjss

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Joao Togneri
23/9/2013 11:00:19 pm

Colocar o ventilador na frente já fez o efeito. Vou agora buscar um rolo de FITA TAPE, para consertar vela.

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Silvia togneri
25/9/2013 01:20:51 pm

Aguenta firme falta pouco agora. Bons e constantes ventos.

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