Lat: 26o 55’- Norte
Long: 026o 06’ – Oeste
Cerca de 50  milhas a oeste de Cabo Verde.

Os últimos dias foram marcados principalmente pelo forte calor da região tropical no hemisfério norte. Os ventos alísios desta região vêm da região oeste da África e trazem muito calor e umidade, o que torna a vida a bordo e o trabalho no deck bem difíceis. Aí vem a preocupação com a desidratação.

No dia 10 fui pra cozinha com a Sue para preparar almoço, janta, pão e biscoitos.

Um calor infernal. Principalmente trabalhando com fogão e forno acesos. Fiquei responsável pelo almoço. Fiz macarrão ao pesto com uma dose especial de alho.

Quase 2,5kg de macarrão e 2kg de molho para alimentar 20 tripulantes que gastam bastante energia a bordo mais o Briam, nosso câmera man, que não tem trabalhado tanto assim... O pessoal adorou. Não sei se pela fome, mas tive que rejeitar vários pedidos de quero mais. Consegui inclusive uma menção no blog do skipper a respeito da boa comida à bordo. (que pode ser visto na página da Clipper). Ponto positivo também foi o banho que tomei na popa do barco. Incrível sensação de alívio e uma vontade absurda de me jogar neste mar calmo, quente e de cor azul anil.

No dia seguinte o calor foi ainda pior e era a minha vez de fazer a faxina do barco. Limpar banheiros e todo o chão e desinfetar as superfícies. Trabalho de quase três horas em um calor ainda pior.... Dormir está cada vez mais difícil.

Durante o dia é quase impossível e a noite não muda muito. E quando chove temos que fechar todas as gaiútas (pequenas janelas à prova d’água) piorando ainda mais.

Hoje e aniversario do Stuart, o meu Watch leader, completando 64 anos. A bravura dele em dar a volta ao mundo me inspira, e mostra que idade nao e impedimento ou desculpa para buscarmos os nossos sonhos. Feliz aniversario Stu e tenha um ano inesquecível.

Passando pelo arquipélago de Cabo Verde, o próximo passo agora é rumar sul para os Doldrums (a zona de convergência intertropical), rota que revisamos dia a dia tentando achar a melhor condição de vento para evitar ficarmos presos por dias em uma região muito quente, com pouquíssimo vento e com tempestades variadas e imprevisíveis, trazendo muito trabalho para a tripulação com as mudanças constantes de velas e de concentração extrema na trimagem das velas em vento fraco.

O calor e nosso desempenho em relação aos outros barcos deixam o moral um pouco baixo, (apesar do skipper sempre dizer o contrário no seu blog). Estamos progredindo, chegando mais perto do grupo, mas ainda oficialmente em último.

Ainda não chegamos a metade do caminho e os sinais de desgaste é visível no rosto das pessoas. A saudade de casa e das pessoas queridas começa a bater forte, muito forte. Para amenizar, um pouco de música brasileira e rever e compartilhar com os outros fotos e vídeos pessoais. Vamos torcer por uma passagem rápida pelos Doldrums e que a tripulação brazuca traga sorte quando chegarmos em águas brasileiras.

Rizzatti
26/9/2013 09:11:16 am

Força Gustavo, estamos torcendo por ti aqui no Brazil! Abraços,
Rizzatti

Reply



Leave a Reply.