O nosso barco chegou um pouco atrasado e por isso houve muito pouco tempo para tê-lo minimamente pronto e seguro para velejar a tempo do prazo desejado. Muitos outros barcos também tiveram problemas e por isso a data da saída foi adiada para segunda, dia 19.
A correria foi grande para deixar o barco com o mínimo de condições para velejar em segurança em três dias. Imagine comprar uma casa somente com a estrutura, elétrica e hidráulica pronta, e ter que fazer todo o acabmento, decoração, mobília, comida, material de limpeza, ferramentas, etc, tudo isso em três dias. Para se ter uma idéia o nosso GPS foi trocado horas antes de partirmos, pois não estava funcionando. Também sem `coffee grinders`, (aquelas torres no meio do deck, que tornam a vida um pouco mais fácil na hora de arrumar as velas). A expectativa e ansiedade também era grande para ver como o nosso whisky boat se sairia com velas.
Saímos no final da tarde de segunda-feira, dia 19, com o programa de fazer um percurso até a França, voltar até o ponto de partida, e daí seguir rumo a Londres. Velas novas em folha, casco e deck polido, todo o inox brilhando, e lá fomos nós. Foi um grande momento quando finalmente pudemos desligar o motor e pela primeira vez em sua vida o Old Pulteney velejou. E tão logo estávamos seguros do pesado tráfico do Solent da Inglaterra, fui presenteado para conduzir este magnífico yacht. Realmente emocionante.

Infelizmente como todo novo barco, assim como os motores, não pudemos tirar o máximo do seu desempenho. A mastreação nova precisa de amacimento e de ajustes durante as primeiras horas, o que no nosso caso será feito em Londres. Também tivemos uma má  surpresa neste primeiro teste. Já passado umas duas horas velejando, ao checar o sistema de lemes, vimos uma grande inundação no sistema que já chegava a um terço do compartimento de popa. 30 minutos retirando a água com baldes e esponja que secar tudo. Um problema com o selo do leme de bombordo que só ocorre quando o barco está razoavelmente adernado (inclinado para um dos lados). E continua nos incomodando pois temos que drenar o compartimento de popa a cada 20 ou 30 minutos.
Dois dias muito prazeros de velejada com ventos brandos, sol e temperatura amena. Nem parece a Inglatera que estou acostumado. Mas  o verão deles ainda parece mais com o nosso inverno no sul/suldeste. Sem falar de duas noites com céu limpo e lua cheia que pude registrar com a câmera  reflex que trouxe. Melhor assim, pois é mais fácil para se acostumar com a rotina de turnos de 4 horas a noite e 6 horas durante o dia, e com o pesado trabalho com as velas. Sem falar do contínuo processo de finalização do barco que fazem os durante o dia. 
Consertamos os coffee grinders, montamos as camas (estas no primeiro dia, claro), vazamentos das tubulações, instalação do sistema de som, instalação de ferragens ainda faltantes, e mais um milhão de coisas. Também não tivemos tempo de lavar completamente o nosso sistema de água doce, que ainda tem um gosto horrível de cloro com sal, o nos obrigou a trazer a água para beber e cozinhar em galões separados. E dessalinizador, assim como outro milhão de coisas, ficaram para ser instalados em Londres. Essa história de “será arrumado em Londres” até virou piada que o Patrick (skipper) fez questão de registrar...
Apesar de ainda limitado, o desempenho do barco parece bom comparado com o de outros barcos que já estão operacionais a muito mais tempo, mas acho que vamos incomodar a concorrência.

Hoje, quinta-feira, dia 22, devemos chegar ao final da noite ao delta do Tâmisa, onde aguardaremos a chegada dos outros barcos, para então, na sexta a tarde, subirmos em desfile até o centro de Londres. Postarei mais em breve.



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