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Já havia passado algum tempo desde o primeiro contato com o David (responsável pelo recrutamento da Clipper), no qual obtive o primeiro material mais detalhado a respeito da competição e do treinamento, juntamente com os valores. Fiquei um pouco assustado no início com os valores e o tempo a ser dedicado para este projeto, afinal há um treinamento obrigatório de 1 mês a ser realizado na Inglaterra, e no caso de participar de toda a volta seriam mais 11 meses no mar, na maior parte do tempo molhado e com frio, enfrentando todo tipo de tempo e condição do mar, falta de privacidade, etc... É difícil não ter um arrepio. Além disso teria que deixar o meu trabalho e interromper a carreira. E ainda as contas... estas não tiram férias.... Sem falar na namorada, família, amigos que poderão ter contato apenas uma vez por mês nas paradas pelo mundo. É realmente um desafio para poucos.
Nos últimos anos veio crescendo minha interação com o mar e com isto a vontade de velejar por todos os cantos do mundo. Um projeto de longo prazo, que exige muita preparação, mudança de estilo de vida, hábitos, prioridades, da companhia certa (esta parte acho que já resolvi...). Ainda estou longe de concretizar este projeto, no entanto estava claro que um desafio como a Clipper Round The World viria a adicionar muito ao projeto, tornando-me uma pessoa mais segura e preparada para as decisões futuras.
Percebi que o desafio da volta ao mundo era demais pra mim, reconheço. Mas então veio a ideia de encarar uma etapa, que seria um projeto viável.
Bom, era junho e fazia mais de seis meses desde o último contato com o David, logo não sabia como estavam as vagas para participar da primeira etapa (UK – Brasil). Muitas pessoas já me perguntaram porque a primeira, já que há outras etapas mais desafiadoras. Bom, pra mim a decisão era obvia. Perder a chance de chegar ao Brasil em um evento como este? em casa? Timoneando um moderno race yatch de 70 pés??? Não dá pra desconsiderar. Mas também pensei que talvez o entrosamento da tripulação da primeira etapa seria melhor. Outros já dizem que é pior, não sei....
Enviei então mais um email, daquele tipo, vamos ver no que dá.... E não demorou muito a resposta: “Hey John, great to hear from you. We are running low on places for Leg 1 but there are still places available.” Foi então que o estômago colou nas costas. Nunca vou esquecer aquela sensação. De repente tudo o que eu já havia ponderado, discutido, repensado, foi reavaliado novamente em quase num único segundo... Sabia que teria tomar uma decisão e que ela teria que ser rápida e definitiva!!!

 
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Era outubro de 2011, eu estava em um daqueles momentos da vida em que a gente se perguta se estamos no rumo certo, ou se estamos nos desviando de nossos sonhos e convicções. Desde que eu conheci o mar, e mais especificamente a vela, sabia que este esporte, ou melhor estilo de vida, deveria estar sempre presente em minha vida. Mas esta parte da história a gente conta depois....
Bom, lá estava eu, 33 anos, solteiro e sem filhos, carreira estável, mas ainda ávido por um grande desafio (que sempre é substuido por um maior após o anterior ser superado), inspirado pelos heróis da VOR (Volvo Ocean Race), pensando em como dar seguimento em um sonho de fazer uma grande travessia oceânica ou mesmo uma volta ao mundo), eis que aparece na Revista Nautica uma reportagem sobre uma competição amadora de vela que circunnavegava o planeta regularmente em grandes veleiros de 68 pés. UOW!!! Ainda, passavam a cada dois anos aqui no Brasil em uma de suas paradas! Assim como outros muitos velejadores, até então nunca havia ouvido falar de tal competição. Finalmente um ano de assinatura daquela revista valeu a pena. Quase não dormi naquela noite surfando, ou melhor velejando na internet, pesquisando tudo sobre o tema.