Finalmente encontrei um tempo para escrever nesta semana bem agitada de preparação final dos barcos. 7 dias de muito trabalho, instalando, consertando, limpando, checando, armazenando comida e todo o tipo de mantimento para 40 dias. O barco está bem mais pesado.... 
Também foi momento para conhecermos o nosso patrocinador na cerimônia de bastismo oficial do Old Pulteney. nos presentearam com um belo kit de camisetas, jaquetas, bolsa, boné e algum estoque do seu nectar precioso. Me senti como celebridade, aliás, todos nós. Palestra sobre a destilaria e sobre o mundo do whisky. Também oportunidade de eles conhecerem o mundo da vela e como será a nossa vida a bordo. Todos muito impressionados e admirados com a nossa coragem. Só nos pediram um pequeno favor.... Vencer a competição! We'll make our best!

Uma das últimas tarefas foi a checagem de toda a mastreação. Um documento com umas 8 páginas, obrigatório, que deve ser assinado pelo skipper, sem o qual o barco não pode deixar o porto. Como sabia que obrigatoriamente deveria subir no mastro, me candidatei na mesma hora. Boa chance para boas fotos, apesar de saber que provavelmente não sentiria as minhas pernas por um bom tempo após descer devido excessivo tempo com o equipamento de alpinismo. Este é um dos trabalhos que o pessoal normalmente corre de fazer... Passei mais de uma hora pendurado checando todos rebites e parafusos e passando silicone nos clipes que travam os parafusos. Mas compensou, não tinha subido no mastro dos 70 e pude ver o barco de um outro ângulo.
Bom, o momento está chegando. Somente agora, com menos de 24 horas para a largada, começo a perceber o que realmente o que estar por vir. Um misto de ansiedade, excitação, medo, saudade dos grandes momentos que tivemos aqui e daqueles que deixamos em casa. Alguns tripulantes que vieram ajudar nestes duas semanas de trabalho e que não vão participar da primeira parte, começam a se despedir. Alguns é pouco provável que verei novamente, e um grande sentimento de perda toma conta. É isso, agora é pra valer! 
Não quero nem imaginar como será a despedida da minha nova família quando chegar no Rio....

No link abaixo está uma selação das melhores fotos da nossa estadia em Londres.

E no link abaixo será possível acompanhar toda a cerimônia da largada do dia 01 de setembro a partir das 05:30hs, horário de Brasilia, da largada da primeira corrida até Brest na França no dia 02 de setembro também  (05:30hs de Brasília)


 
É difícil de acreditar mas tá mais difícil escrever enquanto estamos em terra do que quando velejando e vivendo em turnos de 4 horas a noite. Em terra temos muita coisa pra fazer. A rotina é puxada nestes últimos dias de preparação, e além de tudo dá pra ir por bar a noite, depois de terminar os com as tarefas pelas 20hs. 
Aguardamos até a hora da maré alta no Tamisa no último dia 23/08, para entrar na marina St. Kathrarine Docks, bem aos pés da Tower Brigbe. Um barco de cada vez, cada um esperando pela sua vez de passar pelo apertado canal da doca (pelo menos para um barco com mais de 5 metros de largura). Foi emocionante para todos da tripulação passar por pontos interessantes da paisagem de Londres, como a Grande Barreira, Greenwich, o centro financeiro, o Millenium Dome. Certamente só um aperitivo do que será no dia da largada. No vídeo abaixo dá pra ter uma ideia...
Realmente a organização da vila da regata é primorosa e muito parecida com o que tivemos para a Volvo Ocean Race em Itajaí em 2012. É possível ficar a dois metros dos barcos e a cada dia 2 barcos ficam abertos ao público para visitação . Nós ficamos com o primeiro dia e foi bem puxado. Mostramos o barco para mais de 100 pessoas, normalmente se experiência nenhuma com barcos, e  é claro, ficaram muito mais interessados em ver como é a vida a bordo, dentro do barco, do que os equipamentos e velas. 
 
O nosso barco chegou um pouco atrasado e por isso houve muito pouco tempo para tê-lo minimamente pronto e seguro para velejar a tempo do prazo desejado. Muitos outros barcos também tiveram problemas e por isso a data da saída foi adiada para segunda, dia 19.
A correria foi grande para deixar o barco com o mínimo de condições para velejar em segurança em três dias. Imagine comprar uma casa somente com a estrutura, elétrica e hidráulica pronta, e ter que fazer todo o acabmento, decoração, mobília, comida, material de limpeza, ferramentas, etc, tudo isso em três dias. Para se ter uma idéia o nosso GPS foi trocado horas antes de partirmos, pois não estava funcionando. Também sem `coffee grinders`, (aquelas torres no meio do deck, que tornam a vida um pouco mais fácil na hora de arrumar as velas). A expectativa e ansiedade também era grande para ver como o nosso whisky boat se sairia com velas.
Saímos no final da tarde de segunda-feira, dia 19, com o programa de fazer um percurso até a França, voltar até o ponto de partida, e daí seguir rumo a Londres. Velas novas em folha, casco e deck polido, todo o inox brilhando, e lá fomos nós. Foi um grande momento quando finalmente pudemos desligar o motor e pela primeira vez em sua vida o Old Pulteney velejou. E tão logo estávamos seguros do pesado tráfico do Solent da Inglaterra, fui presenteado para conduzir este magnífico yacht. Realmente emocionante.

Infelizmente como todo novo barco, assim como os motores, não pudemos tirar o máximo do seu desempenho. A mastreação nova precisa de amacimento e de ajustes durante as primeiras horas, o que no nosso caso será feito em Londres. Também tivemos uma má  surpresa neste primeiro teste. Já passado umas duas horas velejando, ao checar o sistema de lemes, vimos uma grande inundação no sistema que já chegava a um terço do compartimento de popa. 30 minutos retirando a água com baldes e esponja que secar tudo. Um problema com o selo do leme de bombordo que só ocorre quando o barco está razoavelmente adernado (inclinado para um dos lados). E continua nos incomodando pois temos que drenar o compartimento de popa a cada 20 ou 30 minutos.
Dois dias muito prazeros de velejada com ventos brandos, sol e temperatura amena. Nem parece a Inglatera que estou acostumado. Mas  o verão deles ainda parece mais com o nosso inverno no sul/suldeste. Sem falar de duas noites com céu limpo e lua cheia que pude registrar com a câmera  reflex que trouxe. Melhor assim, pois é mais fácil para se acostumar com a rotina de turnos de 4 horas a noite e 6 horas durante o dia, e com o pesado trabalho com as velas. Sem falar do contínuo processo de finalização do barco que fazem os durante o dia. 
Consertamos os coffee grinders, montamos as camas (estas no primeiro dia, claro), vazamentos das tubulações, instalação do sistema de som, instalação de ferragens ainda faltantes, e mais um milhão de coisas. Também não tivemos tempo de lavar completamente o nosso sistema de água doce, que ainda tem um gosto horrível de cloro com sal, o nos obrigou a trazer a água para beber e cozinhar em galões separados. E dessalinizador, assim como outro milhão de coisas, ficaram para ser instalados em Londres. Essa história de “será arrumado em Londres” até virou piada que o Patrick (skipper) fez questão de registrar...
Apesar de ainda limitado, o desempenho do barco parece bom comparado com o de outros barcos que já estão operacionais a muito mais tempo, mas acho que vamos incomodar a concorrência.

Hoje, quinta-feira, dia 22, devemos chegar ao final da noite ao delta do Tâmisa, onde aguardaremos a chegada dos outros barcos, para então, na sexta a tarde, subirmos em desfile até o centro de Londres. Postarei mais em breve.
 
Hoje foi um dia bem pesado na preparação do barco para sair amanhã, dia 18/08 para o último treino antes da largada em Londres no dia 1 de setembro. O barco chegou somente na sexta, dia 16, e nunca velejou. Estamos fazendo o impossível para deixar tudo pronto. Com muita coisa dentro e fora do barco. Nem dá para enumerar tudo o que fizemos hoje. Montar os bunks (camas), carregar e guardar toda a comida, panelas e utensílios de cozinha, geladeiras, instalar as balsas salva-vidas, catracas. Pensem num dia de mudança, é isso aí. Só q não acabou, ainda falta muito para amanhã, Carregar e acomodar todas as velas, instalar o dessalinizador, as faixas de segurança onde nos prendemos, algumas ferragens, inspecionar todas conexões e mangueiras, todas as entradas de água do barco, etc. É bem pior que uma mudança.
A minha maior tarefa, além de carregar coisas pra lá e pra cá debaixo de bastante chuva, foi a instalação das camas. Trabalhinho de paciência. E após cerca de 3 horas, 4 deles estavam instalados.
Agora é hora de descansar pra enfrentar a correria de amanhã.
 
Um ponto muito importante da preparação é ter todas as suas coisas identificadas e guardadas em sacolas impermeáveis. E há várias boas razões para isto. Além de tudo melhor organizado, facilitando a procura durante a noite por exemplo, dividimos um espaço reduzido, então coisas simples da vida normal como deixar a roupa suja separada num canto ou a escova de dente no banheiro não são possíveis. Mas o ponto que difere esta competição da vida normal é que faremos revezamento dos beliches, ou como eles chamam "the hot bunk". Significa que duas pessoas de turnos diferentes vão dividir a mesma cama. Por isso ela nunca esfria...
Outro motivo para isto, além de otimização do espaço interno do barco, é que dependo de como estamos velejando, movemos o peso do barco de um lado para outro, ou mais à frente ou mais para trás, maximizando a velocidade. Novamente a importância e preocupação com a velocidade.Logo é facíl imaginar o que pode acontecer nesta bagunça toda se cada peça de roupa ou equipamento não estiver identificado. No meu caso, identifiquei até as baterias das câmeras e carregadores, já que devem haver várias gopro famintas por energia nas poucas tomadas disponíveis à bordo.
Barcos são úmidos. E não há muito o que podemos fazer a respeito. E é impressionante como a umidade penetra em canto e peça de roupa se não estiverem devidamente acondicionados nos sacos impermeáveis. Não tem nada mais frustante que você molhado após um turno pesado de trabalho pesado no deck, descer e ao procurar roupas mais secas ir para cama, encontrar tudo úmido ou até ensopado de água, porque caiu em um ponto com  É claro que nada melhor que a experiência para mostrar a importância disto... Mais uma que o treinamento me mostrou.

 
Não é possível enconder mais nada da internet hoje em dia.
O suspense que o pessoal da Clipper gosta de fazer na publicação das informações mais uma vez não resistiu ao vazamento de informações. E é com grande alegria que posso informar (antes do anúncio oficial da Clipper) que o nosso patrocinador será uma grande marca de whisky escocesa, a 
Old Pulteney! Conhecida como "O malte marítmo". Tudo a ver!
A página do facebook deles já dá a informação! https://www.facebook.com/oldpulteney
Inclusive eles poderiam criar um slogan assim: Keep sailing! Old Pulteney!

Bom, quem me conhece, deve estar rindo.... Vou ter que mudar a minha marca preferida, hehe... 
Fico imaginando com o  que o patrocinador vai nos presentear e como ficará o grafismo do barco. Nã vejo a hora! E que tal participar de algumas ações de marketing do patrocinador? Haja fígado! 
Só quero ver agora como fica a política de zero álcool a bordo, hehe...
 
O tempo passa rápido. Falta só uma semana para a viagem e praticamente 3 semanas para a largada.
Ainda faltam alguns pequenos detalhes. Programar as contas (que não tiram férias) e transferências de dinheiro, último corte de cabelo, ração extra pro cachorro, músicas pro Ipod, silica gel para proteger os eletrônicos da humidade, últimos treinos na academia, aquela última conferida na mala para garantir que fique com menos de 20 kgs, alguns remédios (just in case), etc. Todas aquelas coisas que quem já teve que passar mais de um mês fora de casa conhece...

Ainda também falta algum equipamento específico. Coisas aparentemente simples como lanterna de cabeça com luz vermelha à prova d´agua e um boné à prova d´água também. Assim como a maioria dos equipamentos que comprei, estes também tem suas particularidades desenvolvidas para uso offshore, que aprendi após sofrer um bocado nos treinamentos. Infelizmente no Brasil é muito difícil de achar o equipamento certo a preços que não sejam um total absurdo. Na maioria das vezes não achei, e quando achei o preço dava pra comprar 3 do mesmo modelo no exterior. Até o remédio para enjoo indicado por eles, o Stugeron (#ficadica pessoal!), chega a ser 50% mais caro aqui. Bom, coisas que nós brasileiros infelizmente já estamos acostumados. Parando pra pensar agora, apenas algumas poucas peças de roupa foram compradas aqui no Brasil. Por tudo isso a lanterninha e o boné provavelmente comprarei na Inglaterra nas poucas horas que terei livre antes de embarcar.  
Mas tem que ser uma lanterna tão específica? Não dá pra usar uma de mão? E de cabeça, não poderia ser uma de alpinismo? Estas e outras inúmeras outras perguntas que se pode fazer apenas relacionadas com este item têm resposta. Explico. A razão de ser de cabeça é que apesar de ter duas mãos e poderia usar uma para a lanterna, muitas vezes uma delas está sendo usada para não cair pra fora do barco, quando estamos pendurados na proa para uma troca de vela por exemplo, e se usar a outra pra segurar a lanterna, não conseguimos fazer muita coisa. E porque tem que ser à prova d´água? Também está relacionada com a mesma situação. Normalmente quando a gente tem que se segurar, tem muita água na cara envolvida... E a noite é difícil ver quando uma onda vai nos acertar. Mas o que não é tão obvio é a razão da luz vermelha, que no nosso barco (e provavelmente muitos outros) será a única luz permitida no convés. Mesmo durante as noites mais escuras, sem lua  ou estrelas, ainda é possível enxergar alguma coisa, mas para isso o olho humano precisa de algum tempo para se adaptar. Esta habilidade é conhecido como “visão noturna”. O número que tenho é de cerca de 20 minutos para a total adaptação. O problema é que a luz branca, principalmente se ela incide nos olhos, destrói imediatamente esta habilidade, literalmente cegando a gente por vários minutos. Por isso não dá pra correr o risco de alguém, numa virada de cabeça no convés, cegar acidentalmente toda a tripulação. O mesmo fenômeno não acontece com a luz vermelha. E como nestes situações sem nenhuma luz, com um pequeno led vermelho aceso, como aquelas luzes piloto da TV de casa, é possível reparar uma vela (os panos que fazem o barco andar) sem costurar o dedo junto.  Agora dá pra entender porque as luzes de emergência são, em sua maioria, vermelhas.

 
Muitos me perguntam quando vou, quando volto, que dia é a largada. Pra facilitar, abaixo segue a programação do que acontecerá nestes últimas semana e até a nossa chegada no Rio de Janeiro. Antes da largada,  provavelmente terei acesso a internet no dia 17 e entre os dias 24 e 31 de agosto.



15 e 16/08  – Embarque e viagem até Portsmouth - UK
17/08 – Últimas compras pela manhã e apresentação no barco à tarde
18/08 – levantamos âncora partimos para o último treinamento e transporte dos barcos até Londres. Provavelmente correndo uma regata neste período, já que não aguentamos ficar muito tempo só passeando sem competir...
23/08 – chegada em Londres na marina St Katharine Docks às margens da Tower Bridge
24-31/08 – Últimos ajustes no barco e o gratificante trabalho de comprar e embalar toda a comida para a travessia...
30/08 – Festa de integração entre tripulação e famílias, inclusive a minha...
01/09 –Largada festiva!
02/09 – Largada real a partir do estuário do Tamisa em direção à primeira parada em Brest – França
03 a 4/09 – chegada prevista à Brest
09/09 – Largada da segunda regata rumo ao Rio de Janeiro
01 a 05/10 – Chegada prevista ao Rio. Preparem-se para estar lá no dia 01/10, pois o Team Patrick será o primeiro! Aguardo todos na Marina da Glória!