O tempo passa rápido. Falta só uma semana para a viagem e praticamente 3 semanas para a largada.
Ainda faltam alguns pequenos detalhes. Programar as contas (que não tiram férias) e transferências de dinheiro, último corte de cabelo, ração extra pro cachorro, músicas pro Ipod, silica gel para proteger os eletrônicos da humidade, últimos treinos na academia, aquela última conferida na mala para garantir que fique com menos de 20 kgs, alguns remédios (just in case), etc. Todas aquelas coisas que quem já teve que passar mais de um mês fora de casa conhece...

Ainda também falta algum equipamento específico. Coisas aparentemente simples como lanterna de cabeça com luz vermelha à prova d´agua e um boné à prova d´água também. Assim como a maioria dos equipamentos que comprei, estes também tem suas particularidades desenvolvidas para uso offshore, que aprendi após sofrer um bocado nos treinamentos. Infelizmente no Brasil é muito difícil de achar o equipamento certo a preços que não sejam um total absurdo. Na maioria das vezes não achei, e quando achei o preço dava pra comprar 3 do mesmo modelo no exterior. Até o remédio para enjoo indicado por eles, o Stugeron (#ficadica pessoal!), chega a ser 50% mais caro aqui. Bom, coisas que nós brasileiros infelizmente já estamos acostumados. Parando pra pensar agora, apenas algumas poucas peças de roupa foram compradas aqui no Brasil. Por tudo isso a lanterninha e o boné provavelmente comprarei na Inglaterra nas poucas horas que terei livre antes de embarcar.  
Mas tem que ser uma lanterna tão específica? Não dá pra usar uma de mão? E de cabeça, não poderia ser uma de alpinismo? Estas e outras inúmeras outras perguntas que se pode fazer apenas relacionadas com este item têm resposta. Explico. A razão de ser de cabeça é que apesar de ter duas mãos e poderia usar uma para a lanterna, muitas vezes uma delas está sendo usada para não cair pra fora do barco, quando estamos pendurados na proa para uma troca de vela por exemplo, e se usar a outra pra segurar a lanterna, não conseguimos fazer muita coisa. E porque tem que ser à prova d´água? Também está relacionada com a mesma situação. Normalmente quando a gente tem que se segurar, tem muita água na cara envolvida... E a noite é difícil ver quando uma onda vai nos acertar. Mas o que não é tão obvio é a razão da luz vermelha, que no nosso barco (e provavelmente muitos outros) será a única luz permitida no convés. Mesmo durante as noites mais escuras, sem lua  ou estrelas, ainda é possível enxergar alguma coisa, mas para isso o olho humano precisa de algum tempo para se adaptar. Esta habilidade é conhecido como “visão noturna”. O número que tenho é de cerca de 20 minutos para a total adaptação. O problema é que a luz branca, principalmente se ela incide nos olhos, destrói imediatamente esta habilidade, literalmente cegando a gente por vários minutos. Por isso não dá pra correr o risco de alguém, numa virada de cabeça no convés, cegar acidentalmente toda a tripulação. O mesmo fenômeno não acontece com a luz vermelha. E como nestes situações sem nenhuma luz, com um pequeno led vermelho aceso, como aquelas luzes piloto da TV de casa, é possível reparar uma vela (os panos que fazem o barco andar) sem costurar o dedo junto.  Agora dá pra entender porque as luzes de emergência são, em sua maioria, vermelhas.




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