O tempo está passando rápido, faltando poucas semanas para embarcar. Já passou da hora de pensar nos últimos detalhes da "mala" para a travessia oceânica do Atlântico...
Como já expliquei, não estou embarcando num cruzeiro luxuoso ou em um confortável veleiro ocânico para esta viagem. É uma competição, apesar de amadora, o pessoal leva o fato da disputa pelo trofeu bem a sério e todo mundo, no final das contas, quer ganhar. As regras do que se pode ou não se pode levar na mala dependem de cada equipe e skipper, mas não variam muito.  E a grande maioria limita o peso permitido para cada tripulante em 20kg, e só! E sei de barcos onde a balança fará a fiscalização, impiedosa sem chance para pagar excesso de bagagem. Nos generosos 20kgs, devem estar incluidos todo o kit de roupas para mau tempo, saco de dormir, botas, travesseiro, livros, ipods, etc. Não importando se você vai fazer só uma parte da competição ou se vai dar a volta ao mundo, ou se vc é homem ou mulher. Num primeiro momento também fiquei incomodado achando impossível passar um mês inteiro no mar com só vinte quilos de bagagem. Imaginem o protesto das gurias... Mas depois de duas viagens para os cursos preparatórios na Inglaterra, comecei achar q vinte kgs é até um bom "arrego" pra quem vai fazer só uma parte! Dá pra fazer com bem menos. Afinal de contas vão ser apenas uns 4 banhos durante a travessia, hehehe. 
A verdade é que é claro que é fundamental montar a mala com inteligência, e com as roupas e equipamentos certos. O outro fato que limita a bagagem é o volume. Os novos barcos de 70 pés, apesar de maiores que os seus precursores e veteranos 68 pés, tem uma capacidade de armazenamento mais limitada, pois o casco é mais chato no fundo e agora carregamos mais tripulantes, que em lotação máxima, pode chegar a 24 pessoas, contra 20 do barco anterior. Não podemos esquecer que temos que carregar também toda a nossa comida, além de combustível para o gerador e para o motor, em caso de emergência, água para o caso do dessalinizador quebrar, ferramentas e peças para reparo, e do nosso kit de 11 grandes e pesadas velas, é claro, que tem um terço do barco só para elas. Alguns itens serão comprados coletivamente para otimizar o espaço e peso a bordo, entre eles os lenços umidecidos, ou "banhos de gato", a salvação entre os raros banhos semanais, protetor solar, pasta de dente, ou creme dental no termo técnico.
Não vamos nos enganar, mesmo com roupas próprias para a empreitada, com lã de merino, íons de prata, aroma permanente de rosas, nos meus testes durante os treinamentos, não há roupa que agüente uma semana sem camuflar o odor de suor e de chulé. (Até para isso o treinamento é importante) Dizem que se acostuma, mas não estou muito afim não.... 
Bom, é meio óbvio, mas é preciso dizer, durante a competição não tem como sair do barco pra comprar roupa mais quente, ou mesmo um novo par de óculos escuros, portanto o seu conforto, ou melhor, o seu sofrimento (e talvez o de seus companheiros de tripulação), será medido pelas escolhas certas do que levar para o barco, ou do que vc esqueceu... 
Sobre este tema dá pra escrever um livro, mas também já há muita informação nas listas de discussão e sites com inúmeras dicas sobre kits para travessias. Ainda vou escrever sobre algumas dicas que podem ser úteis não só para  quem pretende fazer uma grande travessia oceânica, mas também para uma atividade na montanha no tempo frio, por exemplo, ou de repente não está a fim de tomar banho por uma semana.... Mas, o mais interessante são aquelas coisas que ninguém comenta nas listas de discussão ou nos sites e reportagens especializados, como um dos tripulantes, que recentemente, fez a pergunta que todo mundo queria fazer e sempre teve dúvidas: quantas cuecas devemos levar para uma travessia oceânica de um mês?? Tivemos uma produtiva discussão na lista, variando de nenhuma a diversas... 



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